top of page

O que um revezamento de corrida em trilha de seis horas pode nos ensinar sobre equipes ágeis?

  • Foto do escritor: Priscila Z Vendramini Mezzena
    Priscila Z Vendramini Mezzena
  • 13 de jul.
  • 3 min de leitura

Uma experiência nova, emocionante e muito diferente.


Há pouco menos de um mês, recebi um convite da minha cunhada — maratonista, aventureira e grande incentivadora — para integrar um sexteto feminino em uma prova de corrida na natureza: a GBC Trail Run.


Inicialmente, ponderei se essa seria uma prova alinhada aos meus objetivos e aos treinos que tenho realizado para evoluir na corrida.


Rapidamente, porém, fui convencida de que seria uma experiência leve, divertida e sem cobranças. Bem… pelo menos essa era a ideia inicial, porque quem disse que esse grupo de mulheres não seria competitivo?


Pensei: por que não?


Ajustei minhas planilhas de treinamento, iniciei a fisioterapia para minimizar uma dor no joelho e me juntei a um grupo de mulheres que enxergou naquela oportunidade um excelente desafio.


Ao entender melhor a dinâmica da prova, não pude deixar de pensar em equipes ágeis.


Seriam seis horas de competição — completamente time-boxed. Cada volta teria 3,69 km, 119 metros de altimetria, terreno acidentado e passagens por áreas molhadas.


A partir das nossas estimativas e dos ritmos individuais, sabíamos que cada integrante poderia completar pelo menos duas voltas. Nossa capacidade de entrega como equipe estava relativamente estabelecida. Entre uma volta e outra, ainda teríamos tempo para recuperar o fôlego e relaxar.


Nos dias que antecederam a prova, compartilhamos treinos, trocamos incentivos e nos auto-organizamos. Definimos o transporte até o local, distante da cidade, combinamos os alimentos e as bebidas que cada uma levaria e providenciamos guarda-sol, cadeiras e outros itens necessários para a nossa estrutura.


Como em qualquer projeto, porém, foi preciso adaptar o planejamento.


A previsão do tempo indicava estabilidade antes e depois da prova, mas, durante as seis horas de corrida, havia possibilidade de chuva. E, como Murphy gosta de participar dos projetos mais interessantes, a chuva realmente apareceu.


Chegamos enquanto o dia ainda amanhecia. O terreno já estava bastante enlameado por causa da chuva e do vento forte da véspera — mais uma vez, eventos não previstos.

Ao longo das seis horas, enfrentamos chuva, frio, calor e sol.


A prova já era naturalmente técnica, considerando o relevo, a altimetria e a travessia de pequenos trechos rasos de rio. Com a chuva, o percurso ganhou ainda mais irregularidades, lama e pontos escorregadios.


Mas já estávamos completamente envolvidas pela experiência.


Bora, custe o que custar!


No próprio local, organizamos a sequência das voltas. Enquanto uma integrante corria, a próxima já começava a se preparar. As demais conversavam, riam, comiam, se hidratavam, tiravam fotos e se posicionavam para receber e incentivar quem concluía ou iniciava o percurso.


A comunicação foi constante.


Ao final de cada volta, compartilhávamos informações atualizadas sobre os pontos mais difíceis, as condições do terreno e os trechos que exigiam maior atenção.


Era praticamente uma retrospectiva rápida, seguida de adaptação imediata.


Na segunda volta, cada uma de nós melhorou seu tempo individual.


Consolidamos nosso objetivo coletivo: garantir pelo menos duas voltas para cada integrante e completar uma 13ª volta com uma das corredoras.


Ao mesmo tempo, cada uma carregava seus próprios desafios: superar as barreiras do percurso, evitar lesões, lidar com o cansaço e entregar o melhor possível dentro de suas condições físicas e emocionais.


Até então, o foco era a diversão.


Mas, aos poucos, começou a surgir a possibilidade de conquistarmos um lugar no pódio.


Vibramos com cada volta concluída. Torcemos umas pelas outras. Celebramos quando percebemos que a 13ª volta seria possível.


Terminamos a prova felizes, leves e profundamente satisfeitas.


E, para tornar a experiência ainda mais especial, conquistamos o 3º lugar entre os sextetos femininos!


Cada uma de nós saiu de lá ainda mais motivada a persistir e evoluir na corrida. Também saímos agradecidas por tudo ter dado certo, sem lesões, e por termos compartilhado seis horas de esforço, dedicação, suor, foco e muita alegria.


Essa experiência me lembrou que equipes fortes não são formadas apenas por pessoas competentes individualmente.


Elas se fortalecem quando existem:


— um objetivo compartilhado;

— clareza sobre a contribuição de cada pessoa;

— colaboração;

— comunicação constante;

— capacidade de adaptação;

— confiança mútua;

— e disposição para celebrar cada pequena conquista ao longo do caminho.


Obrigada a todas as meninas que integraram nosso time pela energia, pela companhia e por tantos momentos valiosos.


Arrasamos!


Meu agradecimento também à Consciência, pelo patrocínio da nossa participação, e à organização da GBC Trail Run, por proporcionar uma experiência tão desafiadora e memorável.


Parabéns a todos os atletas que encararam esse desafio!



Comentários


Priscila Z Vendramini Mezzena

©2024 por Priscila Z Vendramini Mezzena. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page