Nosso Manacá

Antes de nos mudarmos para nossa casa atual, vivemos por quase 20 anos em nossa casa anterior. Foi nossa primeira casa.
Guardamos daquele tempo muitas lembranças carinhosas. Foi onde fui pedida em casamento, onde recebemos nossa filha quando nasceu, onde celebramos tantos momentos especiais, acolhemos nossa primeira cachorrinha e recebemos pessoas queridas. Enfim, uma vida inteira de coisas boas pelas quais temos muito a agradecer.
Nossas recordações daquele lugar começam antes mesmo da casa existir. Lembramos de quando havia ali apenas um terreno e de cada etapa de sua construção. Depois que nos instalamos, continuamos transformando os espaços de acordo com as diferentes fases que vivíamos.
A formação do jardim sempre foi um capítulo especial dessa história.
Vieram a primeira planta, a primeira árvore, as flores, os maciços, novas árvores e, mais tarde, nossa horta. Com o passar dos anos, fomos observando os espaços, entendendo o que funcionava melhor e acrescentando, paciente e cuidadosamente, espécies de que gostávamos.
Entre tantos belos representantes daquele jardim, um sempre foi particularmente especial para nós: nosso manacá.
Compramos a muda ainda pequena, mas ela rapidamente criou raízes e se mostrou forte.
Nossa árvore não foi apenas cenário e desafio para algumas escaladas — o manacá e minha filha foram crescendo juntos. Ela nos encantava pelo porte e, sobretudo, pela beleza nos períodos de floração.
Cada florada era um espetáculo.
As flores surgiam brancas e, pouco depois, adquiriam diferentes tons de lilás. Inevitavelmente, o manacá se tornou cenário de inúmeros registros fotográficos — alguns dos mais bonitos que fizemos naquela casa.
Era difícil passar por ele sem parar para admirar tanta beleza.
Da janela do meu quarto, era uma das primeiras imagens que eu via. E meu encantamento se tornava ainda maior porque dali também podia ouvir os pássaros que pousavam em seus galhos, descansavam ou faziam seus ninhos.
Quando nos mudamos, continuamos visitando a casa regularmente.
Cerca de três meses depois da mudança, porém, em uma dessas visitas, tivemos uma surpresa que nos deixou perplexos e muito tristes: de uma hora para outra, nosso manacá estava completamente seco.
Todo o restante do jardim, já bastante formado, permanecia praticamente como antes.
Menos o manacá.
Nunca encontramos uma explicação para sua morte. Não parecia ter sido falta de água. Não identificamos pragas. As outras plantas continuavam saudáveis.
Ele simplesmente secou.
Recentemente, durante o processo de venda do imóvel, a corretora me perguntou do que eu mais gostava naquela casa.
Respondi quase imediatamente: ficar olhando nosso jardim.
Então apontei, com tristeza, para o canto onde antes existia nosso manacá. Daquela árvore exuberante restava apenas um pequeno toco.
Naquele momento, lembrei-me de um livro infantojuvenil que sempre me emociona: A Árvore Generosa, de Shel Silverstein.
A história acompanha a relação entre um menino e uma árvore ao longo da vida. À medida que o menino cresce e suas necessidades mudam, a relação entre os dois também se transforma. Em cada etapa, a árvore oferece algo de si.
Talvez por isso tenha sido impossível não pensar em nosso manacá.
Imagino que ele tenha sentido falta de nossa presença, de nossa atenção, de nossa energia. Talvez aquele lugar, para ele também, estivesse ligado à vida que construímos ali.
Ou sua partida tenha coincidido com o encerramento de um ciclo.
Mas talvez seja justamente esse o ensinamento: há coisas, lugares, momentos e seres que parecem tão permanentes enquanto fazem parte de nossa rotina que quase acreditamos que estarão sempre ali. Até que, um dia, deixam de estar.
Mas continuam fazendo parte de nós.
Hoje, ao olhar para aquele espaço no jardim, sinto ainda tristeza.
Mas sinto, sobretudo, gratidão por ele ter feito parte da nossa história.



Comentários