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A importância do Gerenciamento de Riscos: reflexões a partir do caso Titanic

  • Foto do escritor: Priscila Z Vendramini Mezzena
    Priscila Z Vendramini Mezzena
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

No último final de semana, visitei a exposição imersiva Titanic Experience, em São Paulo. Impressiona como, mais de um século após sua viagem fatídica, o RMS Titanic — então considerado praticamente “inafundável” — ainda desperta fascínio em pessoas ao redor do mundo. Seu naufrágio permanece como um dos desastres marítimos mais emblemáticos da história: mais de 1.500 pessoas perderam a vida nas águas congelantes do Atlântico Norte, após o afundamento completo da embarcação, nas primeiras horas de 15 de abril de 1912.


Quando o filme Titanic foi lançado, em 1998, tornou-se um fenômeno global, quebrando recordes de bilheteria. Lembro-me de enfrentar uma fila enorme no cinema, ansiosa para conhecer mais sobre o naufrágio que serviu de pano de fundo para a história de amor fictícia de Jack e Rose, embalada pelo megassucesso My Heart Will Go On, de Céline Dion.


Quase 30 anos depois, no entanto, percebi que muitos aspectos da tragédia em si haviam passado despercebidos para mim. A exposição deixa claro que o desastre foi resultado de uma sequência de decisões equivocadas, premissas incorretas e riscos negligenciados — um exemplo contundente de como a ausência de um gerenciamento de riscos eficaz pode levar a consequências catastróficas.


Grandes tragédias raramente decorrem de uma única causa. Na maioria das vezes, são o resultado da combinação de múltiplos riscos ignorados.


No caso do Titanic, alguns fatores chamaram especialmente minha atenção:

  • A crença de que o navio era praticamente inafundável gerou excesso de confiança, levando à negligência de riscos críticos.

  • Pouco antes da partida, ocorreram mudanças na tripulação, incluindo a substituição de um oficial que acabou levando consigo a chave do armário onde ficavam os binóculos utilizados pelos vigias.

  • O Titanic possuía um sistema de comunicação avançado para a época e recebeu diversos alertas sobre icebergs no dia do acidente. No entanto, parte dessas mensagens não chegou à ponte de comando, pois os operadores de rádio priorizavam comunicações dos passageiros.

  • Mesmo após alguns alertas terem sido recebidos, não houve mudanças significativas nos procedimentos de observação, nem redução da velocidade — o navio continuou em alta velocidade em uma região conhecida pela presença de gelo.

  • Um exercício de evacuação previsto para aquele dia foi cancelado, contribuindo para a desorganização inicial. Muitos passageiros não sabiam como utilizar os coletes salva-vidas nem como chegar aos conveses de embarque.

  • Embora o navio tivesse capacidade para mais de 3.300 pessoas, os botes salva-vidas comportavam cerca de 1.178, número que atendia — e até excedia — as exigências regulatórias da época, mas que se mostrou claramente insuficiente em uma emergência real.

  • As condições ambientais também tiveram papel relevante: noite extremamente escura, mar calmo e ausência de ondas, fatores que dificultaram a identificação visual do iceberg, que surgiu como uma massa escura praticamente “do nada”.

  • Após a colisão, a inundação começou nos compartimentos inferiores. Passageiros nos conveses superiores subestimaram inicialmente a gravidade da situação, o que atrasou a evacuação.


O desfecho foi trágico e amplamente conhecido. Mesmo havendo espaço nos botes para centenas de pessoas adicionais, alguns partiram sem lotação máxima, e poucos retornaram para resgatar sobreviventes que ficaram nas águas geladas, por medo de serem sobrecarregados ou de os botes virarem.


Após o desastre do Titanic, as normas de segurança marítima foram significativamente revisadas, incluindo exigências relacionadas ao número de botes salva-vidas, exercícios obrigatórios de evacuação e monitoramento contínuo das condições de gelo.


Essa tragédia oferece lições poderosas sobre a importância do gerenciamento de riscos, especialmente no contexto de projetos. Com frequência, esse domínio do conhecimento ainda é subestimado — apesar de os riscos envolverem não apenas ameaças, mas também oportunidades.


Um gerenciamento de riscos eficaz exige tempo dedicado ao planejamento, identificação adequada dos riscos, análise de probabilidade e impacto, definição de respostas, responsáveis, ações e reservas de contingência. Ainda assim, planejar não é suficiente: os riscos precisam ser monitorados continuamente.


Em um mundo cada vez mais complexo, marcado por rápidas mudanças e incertezas, o desafio de gerenciar riscos torna-se ainda maior. Histórias como a do Titanic permanecem atuais justamente por isso: servem como lembretes poderosos do custo de decisões mal avaliadas e reforçam o papel central do gerenciamento de riscos para o sucesso — tanto em projetos quanto em iniciativas pessoais.


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Priscila Z Vendramini Mezzena

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