Construindo pontes: a importância de acolher perspectivas nas nossas relações
- Priscila Z Vendramini Mezzena

- há 6 horas
- 2 min de leitura

Na correria e no cansaço do dia a dia, minhas leituras têm avançado em intervalos estratégicos — como salas de espera e momentos de deslocamento.
Recentemente, enquanto aguardava minha filha sair de uma aula, encontrei um cantinho para me sentar e tentar avançar na leitura de um livro. Contudo, meu intento durou poucos segundos.
Logo na segunda linha, um menininho curioso, de uns 8 anos, me perguntou o que eu estava lendo. Para simplificar, respondi que era sobre como as posturas que adotamos podem afetar nossa mente (o livro é “O Poder da Presença”, de Amy Cuddy). Comentei, por exemplo, que, ao adotarmos uma postura de força, nossa mente pode interpretá-la como um sinal de que somos fortes.
Achei que a curiosidade dele pararia por ali. Mas não. Ele sentou-se ao meu lado e disse que queria ler comigo. Expliquei que poderia ser um pouco difícil, mostrando que eu já estava em um ponto mais avançado da leitura. Aproveitei para perguntar se ele gostava de ler.
Ele me disse que, quando era criança, tinha cerca de 10 gibis.
Sorri por dentro — e me deixei levar por algum comentário que ele fez logo depois.
Pouco depois, aparentemente já entediado com o tema, mudou de assunto. Sentou-se no chão com algumas cartinhas de futebol e começou a jogar… contra ele mesmo.
Comentei, sorrindo, que aquela era uma ótima estratégia para sempre ganhar.
Logo, outro menino se aproximou e jogou um pouco com ele. Depois, mais um. E, assim, rapidamente, formou-se uma pequena dinâmica entre crianças que sequer se conheciam.
É impressionante como, para muitas crianças, basta um interesse em comum para que se conectem — como se se conhecessem há muito tempo.
Aqueles poucos minutos me levaram a refletir sobre perspectivas.
Como alguém tão pequeno pode considerar uma versão um pouco menor de si mesmo uma “criança”, sendo ele próprio ainda uma?
Entender perspectivas — e, mais do que isso, colocar-se no lugar do outro — é um exercício desafiador. Nossas visões são moldadas pela educação que recebemos, pelos valores que incorporamos, pelas experiências, pelos conhecimentos acumulados e pelas características culturais. Ainda assim, a capacidade de compreender os elementos por trás de diferentes perspectivas é essencial para o desenvolvimento da empatia, tão necessária nos tempos em que vivemos.
Para acessar essas diferentes perspectivas, é preciso, antes de tudo, sair da própria caixa. Cultivar curiosidade genuína sobre o outro. Estabelecer diálogos em que perguntas têm um papel central. Buscar uma linguagem comum. E, principalmente, estar disposto a confrontar amarras que limitam nossa compreensão — conceitos e preconceitos que carregamos ao longo da vida.
No dia a dia, nas decisões que tomamos e nos conflitos que enfrentamos — e também nos ambientes profissionais — essa habilidade é fundamental para a construção de relações sólidas e para o fortalecimento da confiança.
Mais do que entender o outro, trata-se de construir pontes e vínculos fortes onde antes existiam apenas diferentes pontos de vista.



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