O Casulo, a Luta e a Força para Voar
- Priscila Z Vendramini Mezzena

- há 6 horas
- 2 min de leitura

Publicado em 05/05/2026 na Empowered Newsletter: https://www.linkedin.com/pulse/empowered-vol-472026-may-2026-women-powerup-network-admin-wigsf
Certa vez, deparei-me com uma parábola bastante conhecida, a qual adaptei aqui:
“O Homem, a Borboleta e o Casulo”
Um homem encontra um casulo e observa atentamente uma borboleta lutando para sair dele. Preocupado e bem-intencionado, decide intervir — cortando delicadamente o casulo para ajudar a borboleta a se libertar.
O que parecia um gesto de bondade levou a uma consequência inesperada.
A borboleta saiu com o corpo inchado e as asas atrofiadas. Sem ter desenvolvido a força necessária para voar, jamais experimentaria a beleza para a qual havia sido destinada.
A natureza é uma sábia professora.
Tudo tem seu tempo — e seu propósito.
As lutas, por mais desconfortáveis que sejam, muitas vezes são essenciais ao nosso desenvolvimento. É por meio da resistência que a força é construída — como um músculo, que se fortalece quando é desafiado. Não atravessamos momentos difíceis sem sermos transformados; somos moldados por eles. Em muitos casos, é justamente nas situações mais exigentes que descobrimos capacidades muito além do que imaginávamos possuir.
É claro que o peso desses desafios é variável. Fatores internos e externos — como autoconhecimento, inteligência emocional, conhecimento, redes de apoio e recursos disponíveis — têm papel importante na forma como vivenciamos cada experiência.
Ainda assim, ninguém pode viver plenamente as lutas de outra pessoa.
O apoio pode aliviar o peso, mas a jornada em si continua sendo profundamente pessoal. Muitas vezes, o que transforma a experiência não é apenas o desafio em si, mas a perspectiva que escolhemos adotar — especialmente quando acolhemos as dificuldades como parte do nosso caminho e como oportunidades de crescimento.
Viktor Frankl, psiquiatra austríaco que sobreviveu aos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, refletiu profundamente sobre essa capacidade humana de encontrar sentido em meio à adversidade. Em seu livro Em Busca de Sentido, ele observou que, mesmo nas condições mais extremas — quando tudo parecia ter sido tirado — ainda restava uma liberdade essencial: a capacidade de escolher a própria atitude.
Como Frankl sugere, é muitas vezes nas situações extremamente difíceis que encontramos a oportunidade de crescer para além de nós mesmos.
Construir força não significa resistir ou evitar a luta.
Significa permitir que ela nos molde — sem perder de vista quem somos e o que realmente importa.
Que nossa força seja nutrida por nossas paixões e crenças, lapidada por nossas experiências, guiada por nosso propósito e sustentada pela gratidão pela própria jornada.
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