top of page

Pegue leve: nem tudo é sobre você — e isso pode ser libertador

  • Foto do escritor: Priscila Z Vendramini Mezzena
    Priscila Z Vendramini Mezzena
  • há 22 horas
  • 3 min de leitura

Parece ser a norma: vidas movimentadas, que desafiam o equilíbrio pessoal e profissional — física e mentalmente.


Cansaço, falta de energia, letargia, desmotivação. Os relatos de ansiedade, depressão e burnout são cada vez mais frequentes. Ao mesmo tempo, cresce a busca por estilos de vida mais equilibrados e com mais qualidade.


Em teoria, sabemos o que pode ajudar: práticas de autoconhecimento, conexão social, psicoterapia, atividade física, técnicas de relaxamento, boas noites de sono e redes de apoio.


E aqui reside um paradoxo interessante: incorporar algumas dessas práticas à rotina pode, às vezes, gerar inquietação. Afinal, elas também exigem tempo, disciplina e, muitas vezes, recursos.


E se parte desse esgotamento não vier apenas dos nossos compromissos e responsabilidades, mas também do que carregamos sem necessidade?

E se, além disso, somarmos pressões autoimpostas?


A necessidade de corresponder a expectativas — muitas vezes não declaradas.

A tendência de assumir culpas que não são nossas.

A tentativa constante de encontrar em nós mesmos a causa de situações que, na realidade, não controlamos.


Nesse processo, há um mecanismo silencioso que pode intensificar esse peso: a tendência de nos colocarmos no centro de determinadas situações.

O efeito holofote


A psicóloga Amy Cuddy, em seu notável livro O Poder da Presença, explora um viés cognitivo conhecido como efeito holofote — a tendência de superestimarmos o quanto os outros percebem nossos comportamentos, aparência ou erros.


Ela o descreve como “um dos vieses egocêntricos mais duradouros e difundidos”. E, em geral, tendemos a assumir que essa atenção é negativa, e não positiva.


Mas a realidade costuma ser bem diferente.


Em um experimento descrito no capítulo sobre poder e impotência, um grupo de estudantes usou camisetas chamativas com uma mensagem específica e foi convidado a estimar quantas pessoas os haviam notado. A estimativa foi de cerca de 50%. Na prática, menos de 25% perceberam. Em outro estudo, com camisetas menos chamativas, a estimativa foi semelhante — mas apenas cerca de 10% notaram.


Ou seja: as pessoas estão muito menos focadas em nós do que imaginamos.


E, mesmo nos momentos em que outras pessoas estão de fato observando nossas ações — julgando-nos ou não —, o que podemos realmente fazer a respeito?

Será que estão prestando tanta atenção quanto imaginamos?


Para muitos, o desconforto de se sentir observado pode ser difícil de lidar ou superar. No entanto, tomar consciência disso abre espaço para redirecionar a atenção ao que realmente importa.


Quando nos colocamos no centro das atenções, corremos o risco de sair do momento presente e entrar em um espaço mental dominado pelo julgamento — muitas vezes fruto da nossa própria imaginação.

Nem tudo é sobre você


Você já recebeu um comentário ríspido, foi tratado de forma abrupta ou vivenciou um silêncio inesperado — e imediatamente pensou: “o que fiz de errado?”


Ou passou por uma rejeição em um processo seletivo ou situação competitiva, mesmo atendendo a todas as qualificações, e começou imediatamente a mapear falhas, lacunas e insuficiências?


Claro, a reflexão é importante — desde que não leve à autossabotagem. O aprendizado faz parte do processo.


No entanto, em muitos casos, essas situações dizem mais sobre a outra parte do que sobre nós.


O outro pode estar lidando com seus próprios desafios.

A organização pode ter critérios, contextos ou valores que não estão alinhados com os nossos.


As decisões podem envolver fatores que não são visíveis ou transparentes.


Nem tudo é pessoal.

Nem tudo é sobre você.


E talvez uma parte significativa do nosso desgaste venha justamente da tentativa de tornar tudo pessoal.

Tornar mais leve


Talvez o convite aqui não seja fazer menos, mas carregar menos.


Menos julgamento imaginado.

Menos culpa desnecessária.

Menos necessidade de corresponder a expectativas que nem sabemos se existem.


Tornar as coisas mais leves não significa negligenciar responsabilidades. Significa diferenciar o que realmente nos cabe daquilo que nunca foi nosso.


No fim, talvez o mundo não esteja nos observando tanto quanto imaginamos.


E isso, longe de ser desconfortável, pode ser profundamente libertador.



Comentários


Priscila Z Vendramini Mezzena

©2024 por Priscila Z Vendramini Mezzena. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page